NEP INFORMA: Cuidados assistenciais com pacientes em uso de sonda nasoenteral em residências

ep5

A sonda nasoenteral é um dispositivo da medicina que tem sua função apenas a alimentação do paciente. Geralmente tem um comprimento de 50 a 150cm, e diâmetro médio interno de 1,6mm e externo de 4mm. Apresenta em sua estrutura marcas numéricas ao longo de sua extensão auxiliando no posicionamento, são maleáveis e com fio guia metálico e flexível. Este guia deverá ser guardado para ser utilizado novamente, caso seja necessário repassar a sonda. Esse procedimento é de responsabilidade do Enfermeiro ou Médico.

São indicadas nos seguintes casos:

– Impedimentos motores (Cirurgias maxilares, tumores, estenose esofágica).

– Suprimento alimentar insuficiente (Caquexia, sepses).

– Má absorção e indigestão (Problemas do intestino).

– Processos inflamatórios da boca e garganta.

РDist̼rbios do Sistema Nervoso (derrame cerebral).

– Traumas.

– Terapias Medicamentosas.

РDoen̤as cr̫nicas.

– Pós operatório.

A sonda nasoenteral é passada da narina até o intestino.  Utilizada em grande escala em pacientes acamados que apresentam caquexia, sendo de escolha no caso de pacientes que receberam alimentação via sonda por tempo indeterminado e prolongado. Por isso esta sonda só permanece aberta durante o tempo de infusão da alimentação.O método utilizado é pouco invasivo, mas exige cuidados especializados.

No ato da alta do paciente, os familiares recebem inúmeras informações, muitas vezes extensas, tanto a respeito da doença quanto a manutenção da sonda. Como há muitas informações, nem sempre é fácil em absorvê-las bem como cumprir as novas tarefas domiciliares, porém é fundamental o acompanhamento domiciliar desse paciente. É necessário a cooperação de toda a família ao alimentar-se esse doente via sonda, tendo em vista a importância e necessidade dessa terapia alimentar. Vamos abordar alguns cuidados em residência afim de assegurar o tratamento do doente diminuindo a ansiedade da família, deixando-os mais seguros e garantindo melhor resultado na aceitação e no aprendizado durante a manipulação e administração da dieta, diminuindo os riscos de complicações, vamos lá.

Manuseio da sonda: Atentar sempre para a fixação da sonda, tomar cuidados com retrações (ato de puxar), pois pode ser deslocada do posicionamento correto.

Exemplo: durante o sono, banho, mudança de decúbito ou pelo próprio paciente.

Posição da sonda:Solicite que o enfermeiro verifique com você a posição correta da sonda. Meça o comprimento da parte externa com uma fita métrica.  Assim, você poderá verificar sempre se a  sonda continua na mesma posição. Se houver aumento de mais de cinco centímetro do comprimento da parte externa, a sonda pode ter saído do estômago ou do intestino.

Limpeza e higiene: Após o banho, secar a sonda e trocar a sua fixação, seja da face ou da mangueirinha plástica (dependerá do tipo de fixação). A fixação e a sonda deverão estar sempre secas, evitando o desconforto do paciente, odores desagradáveis e colonização de microorganismos.  Higienizar as narinas do paciente e tomar cuidado para não tracionar a asa nasal ao limpar e fixar a sonda, causando lesões. Se o paciente apresenta confusão mental, agitação psicomotora, doentes com demências, etc, as vezes se fará necessário restringir as mãos do paciente com luvas sem os dedos, para impedi-los de retirar a sonda.

A seringa, equipo ou frasco devem ser mantidos  limpos e sem resíduos  de  dieta.  Eles podem  serreutilizados  enquanto estiverem limpos, sem resíduos, sem rachaduras. O êmbolo da seringa deve deslizar bem, o equipo deve permanecer flexível e transparente. Caso haja  sinais  de  deterioração, devem  ser desprezados. Para lavar  a  seringa:  retirar  o  êmbolo (a  parte  interna  da seringa) e  a  membrana  preta  que  cobre  a  ponta  deste.  Lavar todas as peças, com água e detergente, enxaguar bem, secar, montar e guardar em recipiente limpo.

Administração de dieta, infusões de líquidos e medicamentos: Sentar o paciente. Se ele for acamado, elevar a cabeceira por no mínimo 30 graus, (para diminuir os riscos de aspirações de dieta e refluxos gástricos). Não deitar o paciente logo após ingestão alimentar e hídrica. Sempre lavar a sonda com água filtrada após administração de dietas e medicamentos (1 a 2 seringas de 20ml), evitando obstruções por resíduos alimentares. Havendo obstruções, pode se realizar manobras para desobstrução, infiltrando água morna (ideal com seringa de 50ml).

Em caso  de  obstrução (entupimento),  rachadura, furo,  perda ou  saída  parcial  da  sonda,  você  deverá  procurar  a  Unidade Básica de Saúde (Posto de Saúde) ou outro serviço que lhe for indicado,  levando  a  sonda,  lavada  com  água e  sabão,  e  seu guia  metálico,  para  que  o  enfermeiro  verifique  se  podem  ser reaproveitados.

COMO ADMINISTRAR MEDICAMENTOS PELA SONDA?

Se o médico prescreveu medicamentos a serem administrados pela sonda, proceder da seguinte maneira.

  • Medicamentos líquidos: aspirar o volume prescrito de cada medicamento com a seringa e injetar pela sonda.
  • Comprimidos e drágeas: amassarcada medicamento separadamente, triturar e dissolver em água; aspirar com a seringa e injetar pela sonda.
  • Cápsulas: abrir a cápsula,diluir o conteúdo em água filtradae injetar pela sonda.
  • Cápsulas gelatinosas: furar a cápsula, aspirar o conteúdo com uma seringa, diluir em água e injetar pelasonda.

Antes de administrar os medicamentos e ao final, lavar a sonda com 40 ml de água.Não misturar medicamentos diferentes.

Injetar 5ml de água após cada medicação,para evitar que se  misturem na sonda, podendo entupir a mesma.

ATENÇÃO!

Existem medicamentos que não devem ser administrados pela sonda. Verifique comseu médico!

Tempo de troca – determinado pelo protocolo do serviço de acompanhamento do paciente.

QUANDO DEVO PROCURAR A EQUIPE DE SAÚDE RESPONSÁVEL?

Você  deve  procurar  a  equipe de  saúde responsável em  caso de:

  • Diarreia por mais de um dia,
  • Constipação(prisão de ventre) por mais de três dias,
  • Náuseas e vômitos persistentes,
  • Dor abdominal, dor na infusão de dieta,
  • Febre (mais de 37,5°C),
  • Rosto ou pernas inchadas,
  • Perda de peso,
  • Sangramento,
  • Obstrução (entupimento)da sonda,
  • Saída total ou parcial da sonda,
  • Ferida ou irritação da pele ao redor da sonda

REFERÊNCIAS:

JUNIOR, Armando Miguel. Cuidados com pacientes com sondas naso-enteral. Disponível em: http://www.medicinageriatrica.com.br/2007/09/27/cuidados-com-sondas-em-idosos-na-assistencia-domicilar/

COLUNISTA, Portal Educação. Sonda Nasoenteral. Disponível em: https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/enfermagem/sonda-nasoenteral/30540

DREYER et al. Nutrição Enteral Domiciliar. Manual do usuário. Disponível em: https://www.hc.unicamp.br/servicos/emtn/Manual_paciente.pdf

Fábio Freitas Rocha – Enfermeiro.

                     Pós Graduado em Enfermagem do Trabalho

e Gestão em Saúde Mental.

                                         TEXTO SOB COORDENAÇÃO DO NÚCLEO DE EDUCAÇÃO PERMANENTE

Coordenador Peterson Gomes Faria

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *